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Atualizado: 19-06-2026 | Tempo de leitura: 3 minutos

Suspender multas no São João? Sugestão de comunicador gera climão em coletiva de imprensa em Serrinha

Suspender multas no São João? Sugestão de comunicador gera climão em coletiva de imprensa em Serrinha

Uma sugestão considerada temerária durante uma coletiva de imprensa sobre a organização do São João de Serrinha gerou tensão e desconforto entre autoridades e jornalistas na tarde desta quinta-feira (18). O comunicador José Ferraz propôs que o órgão municipal de trânsito suspendesse ou reduzisse a aplicação de multas a motoristas de fora da cidade durante o período festivo, sob a justificativa de que visitantes “não conhecem a cidade”.

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A fala, feita diante do prefeito de Serrinha, Cyro Novais, da tenente-coronel Maria Aparecida, comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, e do coronel Daniel Gomes Figueiredo, comandante do Comando de Policiamento da Região Nordeste (CPR-NE), provocou reação imediata. Ferraz defendeu que a prefeitura evitasse “exageros” na fiscalização e adotasse uma postura mais pedagógica com os visitantes. A proposta, porém, esbarra em um impedimento legal: agentes de trânsito não possuem discricionariedade para deixar de autuar infrações previstas em lei.

Advogado de formação, o prefeito rejeitou a ideia de forma categórica. “Eu jamais passaria uma orientação para o trânsito para não multar uma infração”, afirmou.

Durante a resposta, o comunicador interrompeu o prefeito em tom exaltado, o que elevou a tensão no ambiente. Cyro rebateu de forma firme. “Você perguntou, então escute. A palavra está comigo, baixe sua bola”, retrucou.

Diante do impasse, a comandante da PM interveio para conter os ânimos e preservar o andamento da coletiva. “Ferraz, se acalme, tome uma água. Peço que a gente mantenha essa coletiva com respeito. Estamos aqui para acalmar a população”, declarou a tenente-coronel. (VEJA VÍDEO AQUI)

Suspender multas no São João? Sugestão de comunicador gera climão em coletiva de imprensa em Serrinha

Multa não é opcional — A sugestão de suspender autuações durante festas populares ignora o funcionamento da legislação de trânsito no Brasil. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelece normas complementares ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que determina que toda infração constatada por agente competente — ou por equipamento eletrônico regularmente homologado — está sujeita à autuação. Na prática, isso significa que o agente público não pode simplesmente “fechar os olhos” diante de uma irregularidade por conveniência política ou por tratamento diferenciado a visitantes.

Além disso, a lei não faz distinção entre condutores locais e turistas. Avançar sinal vermelho, estacionar em local proibido, dirigir sem cinto de segurança ou trafegar sob efeito de álcool são infrações ou crimes, independentemente da origem do motorista.
Ao retomar a fala, Cyro fez justamente essa comparação. “É o mesmo que a PM presenciar alguém cometendo um crime e dizer que não vai prender porque é visitante da cidade”, afirmou.

Ao longo dos seis dias de festa, a cidade recebe milhares de visitantes e registra aumento expressivo no fluxo de veículos. Também é um período em que cresce o consumo de bebidas alcoólicas — fator diretamente associado ao aumento de acidentes graves.

Pelo CTB, dirigir sob influência de álcool pode gerar penalidades severas. Quando o teor alcoólico constatado caracteriza crime de trânsito, o condutor pode responder criminalmente, além de sofrer multa elevada e suspensão do direito de dirigir.

Em cenários assim, flexibilizar a fiscalização não seria apenas uma medida impopular entre especialistas em segurança viária — poderia transmitir uma mensagem de tolerância diante de condutas de alto risco. * Com imagens da TV Eventos Serrinha

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