Jaques Wagner é alvo de investigação por suposto esquema com Banco Master

O líder do governo no Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA), está entre os principais alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (18). A ação investiga suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e esquemas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
As suspeitas em torno de Wagner surgiram a partir da análise de mensagens extraídas do celular do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, e também alvo da Compliance Zero nesta quinta.
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Os investigadores tentam esclarecer se o senador teria atuado em favor de pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, entre elas uma proposta que ampliava o crédito consignado e outra medida conhecida nos bastidores como “Emenda Master”.
Em contrapartida, a Polícia Federal suspeita de que o parlamentar possa ter recebido vantagens indevidas. Entre os benefícios sob apuração, estão um apartamento, o uso de aeronaves particulares, ingressos para shows em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2023, e repasses que somariam R$ 3,5 milhões.
Parte desses pagamentos, segundo a investigação, teria sido realizada por meio de uma empresa ligada a familiares do senador, estrutura que, na avaliação dos investigadores, poderia ter sido utilizada para ocultar a origem do dinheiro.
Em março deste ano, o Portal Metrópoles relatou que uma empresa em nome da nora do líder de Wagner estava na folha de pagamento do Banco Master. Estudante de psicologia, graduada em direito e florista, Bonnie de Bonilha foi contratada para prospectar operações de crédito consignado para o banco de Daniel Vorcaro.
Bonilha é casada com o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, enteado do senador petista.
O contrato com o Master foi firmado por meio da BK Financeira, fundada em 2021. Nessa empresa, Bonnie é sócia do advogado Moisés Dantas. “Somos sócios desde 2022, e o serviço prestado não foi de consultoria, mas de prospecção e indicação, em caráter de exclusividade, de operações e convênios de crédito consignado, modalidade existente em todo o Brasil”, afirmou Dantas ao Metrópoles.
Segundo ele, “todos os valores recebidos foram formalizados por meio de nota fiscal, e balanços e extratos estão à disposição das autoridades”.
Na ocasião, o senador Jaques Wagner afirmou que “jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada” e que cabe exclusivamente à empresa prestar os devidos esclarecimentos sobre suas atividades e contratos celebrados.
Cesta do Povo - Uma outra ligação do senador baiano com o Master passa pela privatização da antiga Cesta do Povo, rede de supermercados administrada pelo governo da Bahia. O processo foi conduzido entre 2017 e 2018, período em que Jaques comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado.
Na licitação, o empresário e ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, também alvo da Compliance Zero, venceu a disputa pela aquisição da estatal. Entre as negociações, estava o Cartão Cesta, programa voltado a servidores públicos que, posteriormente, deu origem ao CredCesta, modalidade de crédito consignado.
Anos depois, Guga Lima passou a integrar a sociedade do então Banco Máxima, que mais tarde mudou de nome para Banco Master. O CredCesta foi incorporado pela instituição e se tornou uma das principais operações do banco.
A Polícia Federal passou a analisar as operações no âmbito da investigação que envolve o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master, para esclarecer como ocorreu a venda de ativos e a incorporação do CredCesta ao banco.
Jaques Wagner negou qualquer envolvimento com as fraudes investigadas no banco e se diz “tranquilo” em relação às apurações.
O parlamentar pontuou que o processo de venda da estatal foi legítimo, transparente e positivo para os cofres públicos baianos, uma vez que a empresa gerava dezenas de milhões de reais em prejuízos ao Estado, e afirma que não há nenhuma vinculação partidária ou política com as práticas ilícitas atribuídas à instituição financeira.









