Estudantes de Santa Bárbara criam biofilme sustentável que aumenta durabilidade de alimentos
Um grupo de sete estudantes do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares, em Santa Bárbara, a 35 km de Serrinha, desenvolveu um biofilme sustentável capaz de conservar frutas e legumes por mais tempo e reduzir o uso de plásticos descartáveis. O projeto, orientado pelas professoras Andrea Bonfim e Indira Tainá de Oliveira, do curso técnico de Agroindústria, busca oferecer uma alternativa ecológica ao tradicional plástico filme.
O biofilme é uma película fina, transparente e biodegradável que cria uma camada protetora sobre os alimentos, retardando o processo de deterioração. A ideia surgiu da observação de um problema comum: a rápida perda da qualidade de frutas e verduras, como bananas e morangos, poucos dias após a compra.
“Além de ser sustentável e não poluir o meio ambiente como o plástico comum, nosso produto valoriza recursos presentes na região”, explica o estudante Welington Oliveira, integrante do grupo. “Com isso, conseguimos reduzir resíduos poluentes, aumentar a vida útil dos alimentos e incentivar o uso de matérias-primas locais.”
O material é produzido a partir de amido de milho, batata e mandioca, ingredientes abundantes na região de Santa Bárbara, a cerca de 35 km de Feira de Santana. Essas substâncias contêm amilose e amilopectina, moléculas que formam géis firmes e plastificantes — características ideais para substituir o plástico convencional.
Os testes iniciais avaliaram diferentes tipos de amido, considerando aspectos como opacidade, resistência e solubilidade, com o objetivo de identificar a combinação que oferece melhor desempenho na conservação dos alimentos.
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A orientadora e engenheira de alimentos Indira Tainá de Oliveira explica que a próxima fase do estudo será aplicar o biofilme diretamente sobre frutas e verduras para medir o tempo de prateleira e verificar qual composição proporciona maior durabilidade.
Apesar do engajamento e dos resultados promissores, os estudantes enfrentaram dificuldades estruturais. A professora Andrea Bonfim conta que a estufa necessária para a secagem do material — um processo que leva apenas algumas horas — só chegou um ano após o pedido ao governo estadual. Até então, os alunos precisavam esperar sete dias para que as amostras secassem à temperatura ambiente, o que aumentava o risco de contaminação por microrganismos.
O colégio possui uma fábrica-escola com laboratórios e parcerias locais, mas os educadores afirmam que investimentos em equipamentos e infraestrutura são essenciais para ampliar o alcance e a eficiência dos projetos.
Mesmo com os desafios, o ambiente escolar incentiva o protagonismo dos alunos. Segundo o grupo, a cultura de pesquisa e inovação já faz parte da rotina da instituição. As ideias costumam ser sugeridas pelas professoras, mas o desenvolvimento científico parte da dedicação e curiosidade dos estudantes.
O curso técnico de Agroindústria, integrado ao ensino médio, tem carga horária ampliada, o que permite a realização de projetos experimentais. “Mesmo com a rotina intensa, os alunos se envolvem além do esperado. Eles têm vontade de aprender e transformar a realidade local”, destaca Andrea.









